PERDÃO EM OUTDOOR
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| (Freepick imagens) |
“Olha só você
Depois de me
perder
Veja só você
Que pena!...”
A
maioria das histórias começam do início, principalmente quando essas histórias
são de amor. Normalmente rola uma troca de olhar, o coração acelera, e pronto,
o drama começa. Mas a minha história começa do fim, começa depois de um ponto
final.
Eu
sempre fui apaixonada por ele. Nos conhecemos em um parque de diversão que veio
a cidade. Foi amor à primeira vista, aquela história de cinema. Desde o
primeiro instante quisemos ficar juntos.
Mês
passado completamos dois anos de namoro, isso mesmo, dois anos. A cada dia que
passava minha confiança nele aumentava, e eu sempre me sentia mais segura
quando estava junto com ele. Mas infelizmente ele não tinha a mesma percepção
do sentimento que eu sentia.
Todo
dia era uma cena diferente. O ciúmes era demais. Antes dele eu tive um
relacionamento de adolescente com um garoto, que foi muito especial para mim, e
sempre que nos esbarrávamos na rua, esse garoto me cumprimentava, e ele só
faltava morrer por isso.
Uai,
que culpa eu tenho de encontrar no acaso um amor do passado? Mas para ele, eu
tinha que me fazer de cega, por mais que eu explicasse que não sentia nada por esse
garoto, ele cismava.
Agora
eu ser mal educada com um menino que foi muito importante no meu passado, eu
não vou ser. Claro que se ele vier com conversa fiada, eu não vou dar bola, é lógico.
Porém, cumprimentar alguém é questão de educação.
Semana
retrasada eu estava vindo da Faculdade, onde faço Contabilidade, e encontrei
com o tal garoto do passado. Acenei rapidamente, para não render assunto, mas
ele segurou meu braço, atraindo meu olhar para ele.
“Era
só o que me faltava”, pensei comigo, com vontade de fugir dali.
—Já
faz um tempo que eu venho pensando em você, eu não consigo esquecer o que
vivemos — dizendo isso, ele puxou minha cintura e me envolveu em um beijo.
Antes
que eu conseguisse empurrá-lo, uma moto estacionou até derrapando ao nosso
lado. Era ele, meu namorado, Edu.
—Amor,
não é nada disso... — Antes que eu pudesse terminar de falar, ele jogou o
capacete no chão com ódio, e começou a socar sem parar a cara do menino.
Dois
homens que estavam passando na hora, tentaram separar, enquanto eu tremia e
chorava sem saber o que fazer.
—Por
favor, Edu...
—Não
fala nada — ele disse, se aproximando de mim com fúria.
Antes
que ele se aproximasse, ele caiu no chão, e abraçou os joelhos, dando murro nas
grades de um portão.
—MERDA!
—Amor...
—NÃO
ME CHAMA ASSIM! — ele disse gritando.
—Por
favor... — eu disse chorando
Nesse
momento ele pegou a moto, e acelerou, deixando poeira no ar.
—Não
liga, pra ele — o Rafa, meu antigo namorado, disse acariciando meus cabelos.
—SOME
DAQUI! Você viu o que acabou de fazer, some! — Disse gritando, sem me importar
que ele estava todo ensanguentado.
Fui
embora para casa chorando, enquanto pessoas aleatórias olhavam para o meu rosto
sem entender o que estava acontecendo. Ao chegar em casa entrei no chuveiro, e
chorei de soluçar, chorei de cair no chão, como uma adolescente descontrolada.
Assim
que saí do banho mandei uma mensagem para ele no WhatsApp me humilhando...
Amor,
Há dois anos atrás eu te vi parado
em frente a roda gigante, você estava com aquela sua blusa de frio, azul
marinho, lembra? Você sorriu pra mim de lado, e eu tímida, olhei para baixo,
levantei o olhar, e sorri de volta. Entrei na fila para dar uma volta, e poder
olhar o céu mais de perto. No mesmo instante você foi para o final da fila para
puxar assunto comigo, e acabamos dividindo a mesma poltrona.
Lá no alto, quando a roda gigante,
faz uma pequena parada, você com seu jeito único de me fazer sorrir, beijou
meus lábios pela primeira vez. Naquele instante, eu soube. Era você. A pessoa
que as histórias da Disney sempre promete.
Depois desse momento não nos desgrudamos
mais. Criamos tantos planos juntos. Como por exemplo, casarmos ao pôr do sol.
Até nossos filhos já demos nomes, e olha que eles estão longe de existir.
O que aconteceu hoje, foi algo que
eu queria poder apagar, mas eu juro, eu não tive nada a ver com isso. Eu o cumprimentei, e quando pensa que não, ele me beijou. Por favor, acredita em
mim. Sei que você não gostava que eu cumprimentasse ele, mas eu nunca imaginei
que ele ainda nutrisse algo por mim.
Pode ter certeza que depois de hoje,
ele realmente perdeu a chance de ter meu “Bom Dia”, ou meu “Boa Tarde”. Tenho
certeza, que não foi fácil para você ver aquilo, afinal não consigo nem pensar
o que faria se te visse beijando outra mulher, mas eu te amo, e você não vai
destruir tudo por ciúmes, vai?
Se eu não te amasse, Edu, eu não
estaria aqui implorando para você acreditar em mim. Se eu não te amasse, eu não
teria uma pasta no Pinterest só com fotos de nós dois. Se eu não te amasse, eu
não pensaria em você, toda vez que eu acordo. Se eu não te amasse, eu não
colocaria você em todos meus sonhos, eu não teria você como meu principal
sonho.
Por favor, não jogue nosso amor no
lixo!
Eu te AMO, amor!
Ele visualizou, e não respondeu.
Fui fazer os exercícios de balanço patrimonial chorando,
sem consegui entender praticamente nada, pois o único resultado que eu queria
saber era a resposta do Edu. A noite, quando já estava deitada sem conseguir
pegar no sono, chegou uma mensagem de uma colega minha.
“Miga, não tenho nada a ver com
isso, mas encontrei com o Eduardo, aqui no Carrancas, agarrando uma menina, e
bom, de um jeito bem intenso, se é que você me entende...”
Eu não sabia se chorava, ou gritava. Como ele teve
coragem de fazer isso comigo? Meu Deus! Uma coisa é você ser beijada de
surpresa, outra coisa é você beijar uma pessoa e dar prosseguimento a isso.
Quanto mais eu chorava, mais eu tinha vontade de chorar
Bloquei ele do Whatsaap, Facebook, Instagram, e de todas
outras redes sociais vigentes no momento. Expliquei para os meus pais
brevemente a situação, e pedi para que eles proibissem a entrada dele aqui em
casa.
Mesmo doendo muito, segui minha vida. Depois de duas
semanas, em uma segunda feira, enquanto estava assistindo a aula de economia
básica na faculdade de Ponte Nova, chegou uma mensagem da mesma amiga que me
alertou sobre o beijo do Edu com alguma piriguete.
“Olha essa foto:”
Ao abrir a foto, meu coração disparou, meus olhos
lacrimejaram, e eu tive vontade de jogar o celular na parede.
A foto exibia um Outdoor, em uma parte muito movimentada
da cidade, que estampava a declaração de amor, mais romântica que eu já recebi
em toda minha vida.
“Mariana,
por favor me perdoa! Eu te amo muito!”
Saí da aula chorando, totalmente descontrolada. Por que
ele tinha que ser tão fofo? Droga! Não posso negar que também me senti exposta,
ao mesmo tempo que é romântico é estranho, onde já se viu se declarar por Outdoor?
Resolvi não tomar nenhuma atitude precipitada, então fiz
de conta que não era comigo. Agora já estou com a cabeça fresca, e tenho um
posicionamento sobre tudo o que aconteceu. Então o Gabriel, me convidou para
vim aqui no site, escrever o texto de estreia, e esclarecer essa história que
tá dando o que falar em Ponte Nova.
Não posso negar que ainda gosto muito de você, Edu. Mas
agora já não dá mais, não digo que nunca mais voltaremos a ficar juntos, porém
nesse momento eu não consigo voltar com você. Perdoar, eu perdoo, sim. Só que
isso não quer dizer voltar. Eu me humilhei, eu implorei para você me ouvir, e você
simplesmente me traiu, desculpa, mas agora não dá mais.
Agora infelizmente acabou...
Mariana
“Você jogou fora
O amor que eu te
dei
O sonho que
sonhei...
É tarde demais...”
Gabriel Bhering

Uma história cheia de vida, detalhes e sutilezas que me fizeram viajar e imaginar, quase que perfeitamente, cada detalhe... Torci para um final diferente... Sabe aquele clichê do final feliz?! Então!!! Mas, os tempos mudaram e as mocinhas, de antes, são mulheres fortes e com personalidade suficiente para seguir a vida sem ter, ao lado, um príncipe disfarçado de sapo!!! Clarissa Guimarães, sua mais nova fã! ��
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