FAIR PLAY

(Fabiana Fontes)

A serração do início da manhã invadia a quadra e deixava tudo com um ar meio adormecido. Chegando no local onde se encontrava a equipe azul cumprimentei os colegas que já estavam organizando a torcida e me dirigi para o local onde os jogadores das duas equipes se aprontavam para o primeiro jogo que seria handebol. Após colocar o colete azul comecei passando a bola para o Marquinhos, que passou para o Felipe que arremessou para o gol, apenas aquecendo para a partida que prometia.

O time preto era bem forte, apesar de nem uma equipe ter tido um grande treinamento eles pareciam ter uma imensa vantagem na nossa frente. Tentei ficar calmo, pois querendo ou não, isso vale mais que qualquer técnica. Meu antigo professor de educação física sempre fazia questão de frisar: “Você pode ser o melhor jogador, se não tiver calmo, você não é nada”.

Assim que o Carlos apitou dando início a partida o jogo iniciou com os gritos de fundo da torcida. A bola veio em direção a minha mão e eu capturei indo de encontro ao gol. Um menino desconhecido parou bem na minha frente tentando roubar a bola, então antes que sua vontade se concretizasse eu arremessei para o Henrique, e avancei tentando ficar mais próximo possível do gol, dei um arremesso seguido de um salto projetando a bola em direção ao gol com o coração acelerado na esperança de modificar o placar, mas a bola fez barulho ao se chocar com a trave.

O jogo continuou o mais morno possível durante todo o primeiro tempo, tirando o gol de lateral do Domingues do time preto que fez eles ganharem muita confiança nos passes. Assim que o intervalo começou aproveitei para beber água, e esfriar a cabeça enquanto Felipe e Marquinhos bolavam uma estratégia para melhorarem a jogada.

Quando o segundo tempo iniciou Henrique começou passando a bola para o Felipe que arremessou para mim que fintei um garoto do preto e impulsionei todo meu corpo para o arremesso que foi de encontro ao gol, garantindo um placar menos tenso para minha equipe. A torcida do azul também se animou muito após o empate, isso sem falar em como os jogadores ficaram mais ligados. Depois de bastante tempo um dos colegas de equipe ia em direção a gol e aparentemente estava desimpedido, mas um dos jogadores do preto entrou com metade do corpo na sua frente, fazendo com que o jogador do azul desse com a cara no chão.

O juiz não percebeu o ocorrido e acabou ficando por isso mesmo, o jogo continuou e não demorou muito para o time preto marcar um outro gol que lhe garantiu a vitória. Fiquei muito chateado com a injustiça cometida pela equipe preta que saía de campo da forma mais orgulhosa e confiante do mundo. Apenas o Pedro um colega adversário veio pedir desculpa pela situação a equipe azul, exercendo com camaradagem o “Fair Play”.

Acho que o mais importante em um jogo não é deixar o lado competitivo exaurir a consciência, mas aprender controla-lo juntamente com a lealdade. Enfim, agora que jogo passou bora aguardar os próximos!

Gabriel Bhering

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