GALO CANTA TODA MANHÃ
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| (Fabiana Fontes) |
“Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar”
O período Ditatorial no Brasil, foi de extrema opressão na liberdade de expressão, criando uma barreira que limitou a forma de comunicação. Artistas como Caetano Veloso que compunham músicas que refletiam a situação do país, eram severamente censurados. Na canção “Apesar de você” de Chico Buarque, conseguimos observar com clareza a sensibilidade que o cantor descreve de forma angustiante a sensação de perder a voz, diante do caos político.
Aparentemente, a censura acabou. Basta abrir a página de uma rede social e digitar, para transmitir seus pensamentos para o mundo todo. Porém a censura ainda existi apesar de enevoada. Ter “voz” para falar não é sinônimo de ter pessoas te ouvindo e muito menos de veiculando seus pensamentos, conforme exposto. Ter “voz”, no Séc. XXI é apenas um mecanismo advindo da avançada tecnologia.
A revolução que a internet fez no modo de vida da população, acabou disponibilizando diversas fontes de pesquisa. Todavia, devido os detentores de grandes meios de comunicação defenderem interesses políticos e econômicos, toda sociedade corre o risco de ter contato com conteúdos que não são de caráter ético, conforme preza o jornalismo.
Diante desse conflito, muitas formas de expressão de opiniões são censuradas para proteger ou esconder algum individuo ou situação de um grupo de pessoas que participam ou fidelizam algum “aperto de mão” de grande poder. Por exemplo, muitas emissoras acabam omitindo alguns fatos, como forma de proteger interesses políticos que acabam selando uma espécie de troca de favores para sustentar uma farsa e propagar a alienação.
Além disso muitas das vezes a falta de sensibilidade e senso crítico levam pessoas a censurarem conteúdos extremamente relevantes para sociedade humana. A exposição de um homem nu no Museu Queermuseu em São Paulo, envolveu a participação de uma criança que polemizou o evento. A performance realizada por Wagner Schwartz, foi inspirada na obra “Bichos” da artista Lygia Clark, e não possuía nem uma característica de erotismo.
De acordo com organizadores, o evento possuía sinalização de nudez, ou seja, se a responsável pela criança deixou que ele entrasse ela estava ciente do que seria visto. Porém quando repercutiu pelas redes, diversas pessoas começaram a dizer que a arte está se transformando em pedofilia. Quando na verdade o artista só tinha objetivo de mostrar que arte não é apenas “quadro” e “pinturas”, a arte ultrapassa isso. Então, debruçado no chão juntamente com algumas formas geométricas ele tentava imitá-las, tentando proporcionar uma reflexão aos admiradores.
Diante do ocorrido, diversas pessoas se mobilizaram no twitter com a hastag: #artenãoépedofilia, e também diversos artistas, como Caetano Veloso e Marisa Monte se reuniram e participaram de um vídeo intitulado #342, buscando criticar a censura que muitos indivíduos querem pregar na arte. A exposição “La Betê”, foi investigada, mas recentemente MPF arquivou o caso, por não encontrar nenhum tipo de conotação pornográfica nas imagens vinculadas.
Através desse acontecimento, pode-se concluir que a censura é algo muito complexo de se fazer. Porém, ela é executada com muita facilidade pelo conservadorismo e elitismo que prega uma moral duvidosa. Retomando a canção de Chico Buarque, pode ser feito uma analogia com o galo, pois a sociedade dever ser como ele que canta toda manhã e não se deixa calar. Deve sim questionar, deve sim se expressar, deve sim exercer sua liberdade de expressão.
Talvez, a censura continue sendo algo presente no cotidiano, mas assim como diz na letra da música “Apesar de você” de Chico Buarque, o dia ainda vai chegar, e a sociedade vai conseguir viver em um lugar onde a liberdade de expressão será respeitada e a censura será executada apenas quando houver necessidade. No entanto tudo depende dos cidadãos exercerem seus direitos para fazer esse dia chegar. Uma dica, sejam como um galo e nunca parem de cantar!
“Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa”
Gabriel Bhering

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