INESPERADAMENTE ALGUMAS FOTOS
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Oie!
Tati, eu não sei nem por onde começar. Primeiramente quero
pedir desculpas por ter demorado tanto tempo para ter respondido suas
mensagens, mas assim que eu acabei de digitar aquelas diversas palavras, minha
mãe começou a me gritar, dizendo que eu era uma irresponsável. Sem argumentos
plausíveis para me defender apenas ouvi a sua ladainha, só que em um ponto da
discussão o rosto do João veio em minha mente. Respirei fundo, tentando não me
comover com aquela distração, mas quando fui ver as lágrimas já saiam, sem hora
de parar. Minha mãe continuou falando sem perceber, mas chegou um momento que
ela concluiu que eu não estava bem, afinal eu não sou de ficar calada por
qualquer coisa. Então ela apenas me envolveu em um abraço.
E nesse momento eu vi um
filme passando na minha cabeça, desde o dia que conheci o João na festa de
aniversário da cidade, através de amigos em comuns. Naquele mesmo momento eu
tive certeza que ele era “O cara”, então não perdi tempo. E quando fui ver já
estávamos em um relacionamento sério. Mas parece que em todo esse tempo eu
estive vivendo um sonho sozinha. É como olhar para um espelho e ver tudo
embaçado. Minha mãe vendo meu estado pediu com gentileza que eu descrevesse os
fatos, pensei em negar, afinal eu não queria repassar aquela noite na minha
cabeça. Mas ainda assim era a única forma que podia me justificar.
Então assim que finalizei, minha mãe falou que eu deveria ter
esperado e conversado com o João com calma. Mas ao meu ver tem atitudes que não
tem conversa. Ela perguntou sobre a Sônia, mas eu afirmei que depois de entrar
no carro eu apaguei, como em um passe de mágica, ou melhor como em um passe de
bebidas. Tive vontade de abrir as janelas e gritar para tentar libertar a
angustia que eu estava sentindo no meu peito, mas a minha voz falharia. Então
minha mãe fez questão que eu comesse algumas torradas, e bebesse um suco
natural.
Enquanto terminava de tomar o suco, a campainha tocou. Pensei em
abrir mas minha mãe não perdeu tempo e correu para ver quem era. Então percebi
que ela falou o nome: “Danilo”. Fiquei sem saber o que fazer, depois do beijo
de ontem, eu não tinha tocado nenhuma palavra se quer com ele, e minha mãe não
inventaria nem uma desculpa para ele não entrar, afinal eu tinha omitido a
parte do beijo. Antes que eu pudesse pensar em uma solução, minha mãe já estava
falando:
—Entre, por favor. Tenho certeza que a sua visita vai animar a
Raquel!
Ele apenas sorriu, mostrando aquele
seu jeito tímido e engraçado de ser. Então assim que nossos olhos se
encontraram ele veio na minha direção me cumprimentando com um beijinho de
lado, e perguntando se eu estava bem. Eu apenas assenti sem conseguir sustentar
seu olhar morgado que sempre me trouxe paz. Ele não perdeu tempo e começou a
falar:
—Sei que deve estar sendo muito
difícil para você, mas eu não quero te ver triste, afinal fui eu que te
arrastei para aquela festa. Então eu quero te chamar para sair, você não pode
ficar o dia todo nessa casa se lamentando.
—Desculpa Danilo, mas eu não estou com nenhum pouco de vontade de
sair. A única coisa que eu consigo fazer hoje é me trancar no quarto e
maratonar uma série. Mas obrigada...
—Alienígenas, por favor se retirem e tragam minha amiga de volta.
Cara, essa não é a Raquel. Cadê a garota de virgem que não se deixa abalar por
qualquer cafajeste? Se tem alguém que tem que sofrer nessa história, esse
alguém é ele.
Sem perceber eu já estava rindo da
piadinha boba dele. Mas ainda assim minha animação para sair era zero. Mas ele
falou algo que me deixou levemente intrigada. Eu não posso ficar lamentando por
um idiota como o João.
—Ok, eu topo sim! Mas para onde vamos?
—Eu também não sei, apenas vamos?
—Você é estranho. Espera eu vou me arrumar.
Assim que coloquei uma roupa casual, avisei para minha mãe que
iria sair, o que fez ela ficar muito contente. Abracei ela, agradecendo pelo
apoio. E entrei no carro do Danilo que já ligava uma música eletrônica, e
cantava em um ritmo muito animado. Mas assim que ele deu partida, eu abaixei o
volume. E, ele me olhou sério sem entender.
—O que foi?
—Eu só queria pedir desculpas por ontem, o beijo...
—Que beijo?
Sinceramente não estou lembrado de nada disso!
Apenas sorri, por saber que ele tinha compreendido tudo. E
aumentei o som enquanto também começava a cantar. Ele pediu que eu emprestasse
meu celular para ele, e eu entreguei sem entender. Então quando fui ver o João
estava sendo bloqueado de todas minhas redes sociais, e meu status era de
“solteira”. De repente, eu me senti um pouco livre de tudo o que tinha
ocorrido, e apesar de ainda doer. A angustia do meu peito tinha se aliviado,
como se o Danilo tivesse o poder de apagar tudo o que há de nebuloso dentro de
mim.
Passamos em um estúdio de fotografias, onde o Danilo pediu que eu
escolhesse minhas melhores fotos, até mesmo de biquíni, pois ele tinha um
plano. Então eu selecionei algumas no celular e ele pediu que revelasse pagando
a quantia. Fiquei muito curiosa para saber o que ele pretendia fazer com
aquelas fotos, mas ele apenas pedia para eu confiar nele.
Então fomos rumo ao departamento de cultura da cidade, e chegando
lá eu me deparei com a megera da Sônia que estava de costas com um envelope de
fotos na mão. Sem entender nada apenas olhei para o Danilo com uma cara
muito brava, só que ele apenas parecia não saber o que estava acontecendo.
Enquanto a Sônia conversava com uma moça, percebi que aquelas fotos serviam
para pré-seleção do concurso do desfile da cidade que ocorreria no aniversário
da cidade em um grande evento. Então esse era o plano do Danilo me envolver em
um evento que eu não tinha nenhum pouco de afinidade. Falei para ele que queria
ir embora, mas ele praticamente implorou para que eu ficasse, dizendo que
aquilo poderia ser minha grande distração nos próximos dias, além disso ele
alegava, que eu levava o maior jeito.
Percebendo nossa conversa, a Sônia se virou e fez uma cara de
irritada. No final da conversa ela disse:
—Espero que a melhor vença. Que pena que algumas garotas não se
tocam, e ainda se inscrevem para passar vexame!
Respirei fundo, para não perder a cabeça e socar a cara daquela
sem noção. Mas antes que eu tomasse qualquer atitude, o Danilo passou a mão
pelo meus ombros e disse que tudo terminaria bem. E depois me apresentou para
secretária enquanto eu informava meus dados e entregava as fotos. Na volta
passamos no parque central da cidade e conversamos sobre a chatice de morar em
uma cidade pequena, e encontrar as “benditas” pessoas a cada cinco segundos, e
ficamos rindo sobre como seria eu desfilar. Sinceramente eu acho que tudo isso
não se passa de uma grande loucura, mas fazer o que?
Bom, é isso...
Beijos ;)
P.S.:
O João tentou conversar comigo, mas minha mãe proibiu sua entrada. Bem
feito!
Gabriel Bhering
Primeira publicação: http://www.projetomural.com.br/2017/05/simplesemente-umas-fotos.html
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