OS SEGREDOS DA MAGIA CIRCENSE, POR SUPER STAR CIRCUS
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| (Fabiana Fontes) |
O circo sempre foi uma prática muito marginalizada na nossa sociedade devido os artistas serem considerados pessoas perdidas no mundo, quando na realidade eles são os responsáveis por fazer milhares de crianças sorrirem. O Super Star Circus que já está na quinta geração, se encontra localizado perto do bar Carrancas no bairro Rasa, da cidade da zona da mata mineira, Ponte Nova. Seja pelos seus diversos números ou pela magia que inalam até na própria voz eles encantam a cidade, apesar de todas as dificuldades que precisam enfrentar para manter toda essa magia no ar.
Através da entrevista feita com um dos donos, Bruno, do circo é possível identificar algumas características da vida circense, e também os diversos desafios que ela traz. Confira a entrevista para conhecer um pouco melhor desse universo encantador, que alegra tantas gerações. Caso, você ainda não tenha conferido as apresentações, elas ficaram disponíveis até domingo.
Como surgiu o Super Star Circus?
A minha família já é a quinta geração, ou seja, já somos circenses a muito tempo. Existe oito circos na família, e a minha irmã trabalhava com meu primo que resolveu abrir uma nova unidade, então ela me chamou para abrirmos juntos. O nosso circo funciona de forma independente, apesar das apresentações terem essências semelhantes. Em outras palavras é possível estabelecermos uma relação com as outras unidades. O primeiro circo que surgiu na nossa família foi chamado de Circo do linguiça, que foi dirigido pelo meu bisavô, que continha peças teatrais e bandas sertanejas, que hoje não fazem mais parte do nosso repertório.
A vida circense exige uma rotina um pouco diferenciada, como isso ocorre na prática?
Na verdade, não conhecemos outra rotina, para nós é normal. É diferente para o pessoal de fora. Hoje em dia o circo não perde para casa nenhuma, tem trailer que tem até banheira de hidromassagem dentro, então não perde mesmo. A questão da rotina difere um pouco, mas existe leis que protegem as crianças circenses e ciganas que exigem as escolas terem vagas aos estudantes o ano todo.
Qual o maior desafio de viver no circo?
A questão do apoio. Antigamente existia muita discriminação, você falava que era do circo e as pessoas já te olhavam torto. Hoje em dia não tem tanto mais. O maior desafio atual como eu disse é a questão do apoio, e isso não é culpa do prefeito. É culpa de uma lei que vem lá de cima. Aqui em Ponte Nova, não vou dizer apoio, mas tivemos um recebimento muito bom, tem cidades que não dão nenhum pouco de valorização.
Vocês possuem uma rotina de preparação e produção?
Todo mundo acha que o pessoal do circo fica ensaiando o dia inteiro, mas isso não ocorre. Provavelmente esse pensamento vem dos filmes. O artista de circo ensaia até ele aprender, depois que estiver preparado para apresentar, o treinamento acaba ocorrendo na própria apresentação. É claro que existe um aquecimento e alongamento, mas ficar treinando o dia inteiro é mito. O único caso que existe uma rotina fixa de ensaio é apenas para alguém que está aprendendo uma performance ou se aperfeiçoando, como é o caso dos malabares que é análogo a matemática, que não tem fim, ou seja, sempre está se adaptando a um novo número.
Quais são os números de destaque em suas performances?
Quando alguém faz essa pergunta, acaba já esperando como resposta o globo da morte. Mas aqui temos dois palhaços que são: o vareta e o caraca maluco que faz um cover cômico do Michael Jackson, então acaba que o globo da morte nem tem tanta relevância. O circo pode ser inteiro bom, mas se o palhaço for ruim o pessoal sai falando mal. Os nossos dois palhaços são muito bons, é o nosso cargo chefe.
Existe alguma dica que você pode passar para quem deseja ingressar na vida circense?
Hoje em dia é muito difícil encontrar pessoas que não sejam do âmbito circense que queiram trabalhar no circo. Antigamente as pessoas viam e pediam para aprender, isso já não ocorre muito mais. Mas assim, o circo é um mundo mágico, então as pessoas que vem acaba tendo a capacidade de aprender tudo aquilo que elas quiserem. É importante destacar que não é necessário só dom, mas também, esforço.
Diante de uma sociedade totalmente virtual, o universo do circo precisa recorrer para apresentações até mesmo com personagens do universo infantil. Isso de certa forma descaracteriza a magia transmitida nos circos, ou não?
Muito, tem circos hoje em dia que a gente fala que é circo de bichinhos. O cara vem e não tem um espetáculo bom, não tem um artista relevante nem um palhaço engraçado. Porque ele vai lá na fábrica manda fazer os bonecos, a família dele mesmo faz os personagens, as crianças acabam vindo e proporcionando uma boa audiência. Mas acaba que a parte principal do circo é deixado de lado. E como você falou com a era virtual é muito difícil tirar o povo de casa, e fazer com que o pessoal tenha interesse de vim. Dessa forma é necessário investirmos também, como por exemplo, o avião que divulgamos os dias das nossas apresentações. O circo é uma luta que se mata um leão por dia, tudo que se faz é investimento, como uma empresa.
Para fecharmos com chave de ouro, teria como você revelar o segredo do Super Star Circus conseguir arrancar o sorriso em tantas pessoas?
Acho que a gente trabalha muito com a ideia do circo em si. O circo é uma coisa mágica, dessa forma a gente depende muito do sorriso da criança para continuar levando o circo. O meu tio fez um poema uma vez muito interessante: “Enquanto uma criança sorrir, o circo jamais vai deixar de existir”. E o circo decaiu muito depois que proibiu os animais, que era a essência das apresentações. Aqui em Ponte Nova por exemplo, onde é o zoológico mais perto? Só lá em BH, o que limita muitos a conhecerem esses animais silvestres e o circo era uma forma de proporcionar isso a sociedade. Então desde que foi proibido, a classe circense se viu em um grande dilema, que foi substituído por personagens, por exemplo. Mas, a nossa família sempre buscou trabalhar na essência mais real do circo, despertando consequentemente o sorriso das crianças.
Gabriel Bhering
Primeira Publicação: http://www.projetomural.com.br/2018/05/os-segredos-da-magia-circense-por-super.html

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